
Desde o primeiro dia que descobri um pouco mais sobre você, senti que finalmente havia encontrado as respostas para todas as perguntas que gritavam dentro de mim desde quando criei minha própria concepção de mundo. Vi nas suas palavras o conforto que a vida não me ofereceu naqueles momentos de dor, nos seus olhos uma vontade imensa de ser e fazer alguém feliz, no seu sorriso a certeza que dias melhores estavam por vir e no seu coração um amor verdadeiro para compartilhar. Eu não estava enganada, encontrei em você muito mais do que eu sempre procurei. O simples fato de saber decifrar cada partícula do meu ser, fez-me ver que algumas pessoas não se encontram por acaso. E no nosso caso, nos encontramos num momento em que ambos precisavam de apoio. E pus-me a retribuir toda a felicidade que me proporcionava. É o amor mais lindo que Deus poderia me conceder, e hoje me sinto extremamente feliz por ser tão abençoada assim. Porém quando páro pra pensar, percebo que sou a mesma menina medrosa, sentimental e insegura que sempre fui. Eu não mudei e creio que não vou mudar tão cedo. Isso já me trouxe sofrimento e acredito que ainda me trará mais algumas dores de cabeça. Falando assim até parece discurso de uma adolescente querendo se passar pela coitada do destino, mas eu não preciso disso para viver. Nunca tive medo de dizer o que realmente sinto, e não é agora que vou citar mentiras sobre mim somente para dar algum sentido ao meu texto. Nem sei se pretendo chegar a alguma conclusão colocando em palavras meus pensamentos, afinal, a vida nunca é conclusiva, assim como acredito que a morte não é o fim de tudo. Só que essa noite antes de dormir, eu procurei sim por algumas conclusões que desejo há muito tempo. Acabou que no final encontrei somente eu e a solidão, dividindo o mesmo espaço na cama de sempre, com as lágrimas de sempre e os mesmos pensamentos a flutuarem sobre nossas cabeças. Depois o cansaço, e por fim, o sono que chegou arrebatador. Acordei com as dúvidas frequentes, que talvez nunca se tornem passado. Só tenho medo que isso leve de mim o que tenho e quem eu tenho, assim como antes já levou. Já perdi muito com esse medo sem sentido de viver. Se hoje eu enfrento até mesmo dragões, amanhã sinto medo de sair fora de casa. Assim como muitos, mato um leão por dia para sobreviver, e nunca fui de me render diante das minhas próprias fraquezas. Não sou nenhuma espécie de super-herói, mas também não sou a vítima indefesa dos fatos. Aliás, sempre fui mais vítima de mim mesma que da vida. Meu problema é mais interior que exterior, e eu sei que no final sou simplesmente uma garota que procura a essência de tudo que a cerca, mais uma que tende a ser frustrada na vida por acreditar que o mundo não oferece o que ela procura. Eu nunca quis crescer. Sempre fui precoce em algumas coisas e muito atrasada em outras, como continuo sendo. E como sempre digo, há um lado infantil em mim que parece não querer me deixar. Até agora não achei conexão nas frases que, ao léu, brotam em minha mente e eu transcrevo aqui nesse esboço de desabafo. Mas não tem problema, percebi que os melhores acontecimentos da vida são aqueles espontâneos, que saem de dentro pra fora. Espero que através de alguns ou de todos os meus erros, eu enfim consiga compreender um pouco como funciona a roda da vida. Que eu continue a acertar e a errar, aceitando pacificamente ou questionando quando necessário, e que isso me torne uma pessoa mais adulta, mas não tão adulta assim. Ser madura demais tira um pouco dos prazeres da vida, e é isso que acho que queria finalmente dizer nessa série de palavras. Tenho medo de te perder. Eu não sou madura o bastante, e acho que nunca serei!