terça-feira, 28 de outubro de 2008

Agora...

Fotógrafo/artista: flashfilm
Agora eu olho para o horizonte e vejo tudo que eu sempre almejei mais perto de mim. Antes eu olhava e via, porém sentia que por mais que esticasse os meus braços eu nunca iria alcançar. Mesmo que algumas vezes eu me sinta sem forças e triste, tenho um motivo muito forte para reerguer e abrir novamente meu sorriso. As minhas manhãs nunca mais terão o nascer do sol que vinha me acompanhando ultimamente, agora ele nascerá iluminando o meu quarto e muito mais que isso, iluminará minha alma e deixará em mim seu brilho ofuscante de cada dia. As minhas tardes deixarão de lado aquela extrema agonia, para dar lugar a uma tarde com sabor de paz espiritual e cheiro de alegria. Minhas noites não mais esconderão as estrelas e a lua. As estrelas vão voltar a soprar sua poeira sobre mim e a lua refletirá novamente a luz que recebe dos outros astros. Não serei como a lua, pois ela não tem brilho próprio. Serei como o sol, que irradia luz e vida. Distribuirei sorrisos multicoloridos e por onde eu passar ficará um risco de purpurina e borboletas. Se tenho motivos para chorar, logicamente tenho muitos para sorrir. Não mais chorarei pelo que passou e não deu certo, e sim por tudo de bom que ainda vai acontecer. E agora, não tentem tirar de mim os meus sonhos, por muito tempo fizeram-me esquecer dos mesmos, só que agora não quero mais que isso aconteça. Criem seus próprios sonhos e não atrapalhem os meus. Sonharei alto, e caso eu caia, a queda é minha e eu não tenho medo dela. Com certeza terei uma pessoa pronta pra cuidar dos meus ferimentos e me ajudar de volta na subida. Agora é hora de transcender! É hora de libertar das correntes invisíveis do medo, da solidão, da angústia e da dor. A minha ascenção chegou, e agora nada e ninguém pode me impedir de ser feliz! Você vem comigo, meu amor?


"Felicidade que transborda,
parece não querer parar,
não quer parar,
não vai parar..."

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Paracatu - MG, 210 anos de história!

Hoje, minha querida cidade se orgulha em completar seus 210 anos de história. E quanta história! Paracatu vem do tupi e significa Peixe bom ou Rio Bom. Nasci aqui, cercada de um aconchego mineiro que jamais encontrei em outro lugar. Cresci brincando na rua, cresci junto com minha cidade. Atualmente, ela já não tem mais aquele gostinho de cidade pequena que há tão pouco existia. A modernidade toma espaço do rústico aos poucos. Porém, esse cantinho não perde o brilho e a beleza há muito tempo conquistada. Tenho orgulho em ser Paracatuense e amar de verdade o lugar que moro a cada dia que passa. Segue em frente, minha menina! Mas não deixe jamais ficar esquecida sua história, as imagens daquela cidade onde as crianças ainda brincavam nas ruas, onde as pessoas colocavam seus banquinhos nas portas das casas para bater papo, onde o carro de boi passava rangendo suas rodas. Sim, aquela cidadezinha que cheirava pão de queijo e café quentinho. Na minha cabeça você será sempre aquela eterna criança, que hoje ainda ignoro que cresceu! Paracatu, parabéns!





O interior do Brasil foi esquadrinhado pelos bandeirantes, pelos pecuaristas e pelos aventureiros durante todo o período colonial. Segundo o historiador Antônio de Oliveira Mello, a região Noroeste de Minas Gerais foi visitada, conhecida e perscrutada desde o final do século XVI. Ele reuniu indícios de que as bandeiras de Domingos Luis Grau (1586-1587), Antônio Macedo (1590), Domingos Rodrigues (1596), Domingos Fernandes (1599) e Nicolau Barreto (1602-1604), palmilharam esta região. Em 1744 os bandeirantes Felisberto Caldeira Brant e José Rodrigues Frois comunicaram à coroa o descobrimento das minas do vale do Paracatu. Existem indícios de que o arraial já havia sido fundado muitos anos antes, pois a essa época já se tem conhecimento da existência de casas de morada e igrejas no local. Após essa descoberta, não surgiu no cenário das Gerais nenhuma nova região aurífera de importância. Portanto, “A última grande descoberta aurífera das Minas Gerais ocorreu no Vale do Rio Paracatu no início do século XVIII”. A conquista da região vinha sendo estruturada há muitos anos. Em 1722, quando Tomás do Lago Medeiros recebeu a patente de Coronel de Paracatu, o direito de guardamoria e o privilégio de distribuição das datas de terras desta região, o ouro não havia sido descoberto, mas a região já era conhecida e havia a expectativa da descoberta de metais preciosos por ali. Em documento datado de 1722, era exigido dele como contrapartida pelos privilégios recebidos, zelar pela boa composição do povoamento a ser estabelecido nestas paragens:... terá grandíssimo cuidado de que na gente com que entrar na dita conquista haja toda quietação e sossego, para o que aproveitara muito não levar em sua companhia criminosos, nem malfeitores antes pessoas que vão só a ela, não por fugirem à justiça, mas por buscar a conveniência nos descobrimentos... Os cuidados que as prováveis regiões mineradoras mereciam das cortes portuguesas indicam a importância dessa atividade para a economia da época. Descoberto o ouro, a atração exercida pela abundância com que este fluía de seus veios d’água contribuiu para o rápido crescimento do Arraial de São Luiz e Sant’Anna das Minas do Paracatu. Após período de grande crescimento, o arraial foi elevado a vila com o nome de Paracatu do Príncipe, em 1798, por um alvará de D. Maria (a louca). A efêmera riqueza logo se dissipou e o declínio produtivo do ouro aluvial provocou a decadência econômica da vila. Dos tempos de glória, a cidade conservou duas igrejas construídas no século XVIII – tombadas pelo patrimônio histórico – que abrigam uma grande coleção de imagens sacras dos séculos XVIII e XIX. A cidade retomou seu crescimento com base na agropecuária e viveu uma efervescência cultural no século XIX, da qual ainda hoje se orgulha. Desta época ainda existe um conjunto arquitetônico com características particulares e um interesse por todos os tipos de manifestações artísticas e culturais.Em meados do século XX, com a construção de Brasília, a região tomou novo impulso e Paracatu beneficiou-se da sua situação às margens da BR 040. A transferência da capital federal para o interior do país já havia sido sugerida durante o período monárquico por José Bonifácio de Andrada, que apontou como ideal a localização da comarca de Paracatu. A modernidade chegou trazendo inúmeras transformações, que vão desde um incremento da economia até uma mudança de mentalidade que inclui novos valores, nova arquitetura e novo estilo de vida.Paracatu conta hoje com uma agricultura altamente tecnificada, implantada em larga escala; com uma pecuária intensiva; uma exploração mineral das mais modernas do mundo; convivendo com uma exploração agrícola rudimentar de subsistência e uma pecuária extensiva. No campo da mineração, o antigo método do garimpo foi interditado. A cidade se mantém como pólo irradiador de cultura, de tecnologia e de desenvolvimento dentro da região Noroeste de Minas Gerais e se orgulha de sua gente hospitaleira, laboriosa e da sua tradição artística e cultural.




Paracatu, terra de contrastes que mistura rusticidade e simplicidade com cultura e sofisticação, aguarda sua visita!




Os teus becos que foram picadas
E tuas ruas que foram bandeiras
Formam hoje a altaneira cidade
Grande urbe das plagas mineiras!
Paracatu do Príncipe
Do ouro, do esplendor
Dos buritis de Arinos
Do nosso eterno amor!
As igrejas na fé levantadas
Sob um céu de suave beleza
São as tuas verdades sagradas
Testemunhas de tua grandeza!
Teus heróis, teu porvir, tua história
São agora o mais caro tesouro
Do fulgor de um passado de glória
Oh, cidade da fé e do ouro!
Por teu povo em labor permanente
Por teu solo fecundo e enlevado
Hás de ter, exaltando o presente
Um futuro maior que o passado!
Paracatu do Príncipe
Do ouro, do esplendor
Dos buritis de Arinos
Do nosso eterno amor!


sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Ela ainda vive em mim...

Todos os dias quando abro os olhos ela está lá a me olhar num porta-retratos apoiado na estante. Com aqueles olhos doces e aquele sorriso sincero, ela me dá forças para viver mais um dia. Na cômoda também há vários pedaços dela. Um ursinho de pelúcia ganhado nos primeiros anos de vida, outro ganhado numa fase intermediária e ao lado alguns ganhados mesmo depois de adolescente. Quando abro o guarda-roupa, uma peça solitária me chama a atenção. É um vestidinho preto com detalhes cor de rosa, mede apenas alguns centímetros, mas traz de volta uma enorme quantidade de lembranças. Porém, mais do que viver na estante, na cômoda e no guarda-roupa, ela vive em mim. Ela sou eu. Eu sou ela. Doce infância que os anos não trazem mais. Tive uma das melhores infâncias que se pode ter. Uma das lembranças mais fortes que tenho, é a dos fins de semana na fazenda do meu avô paterno. Havia (e ainda há) um rego d’água que passa em frente a casa, o qual caía num poço cimentado e improvisado que chamamos de “biquinha”. Tomei banho nesse lugar durante toda minha infância. Lembro também do meu avô fazendo um balanço para mim todas as vezes que ia lá. O balanço era uma corda amarrada no pé de manga, onde eu apoiava um travesseiro para servir de assento. Eu achava aquilo a melhor coisa do mundo, na cidade não havia balanços que alcançassem grandes alturas como aquele. Eu mirava algumas folhas e tentava alcançá-las com os pés. De manhã, acordava cedo e corria para o curral, onde subia na cerca e ficava a observar o meu pai e meu avô tirar leite. Era sempre recompensada com um copo quentinho e espumado. Como era bom! Hoje meu avô não está mais entre nós, a falta que ele me faz e a falta dos momentos que passei eu não pensei que pudesse ser tão grande. Também há a lembrança marcante dos momentos que vivi numa cidade aqui mesmo do interior de Minas, onde minha mãe nasceu e morou antes de se casar. Lá morava minha avó materna e ainda mora grande parte da família da minha mãe. Como na fazenda, lá eu me sentia livre. Uma cidade muito pequena, onde praticamente não há trânsito. Brincava na rua com meus primos o dia todo. Saía sozinha e me sentia independente. No final da rua da casa da minha avó há um rio, e por cima passa uma ponte, dessas de madeira. Visitar o rio era um programa nobre naquela época. Descer o barranco e colocar os pés na água então, nem se fala. No quintal enorme eu via sempre uma forma de me aventurar. Uma árvore é toda marcada por minhas iniciais. Nos mais altos galhos, pode se encontrar rabiscos feitos por mim, minha irmã e meus primos. Cada parte dela tem uma história para contar. Após o falecimento da minha avó, as visitas se tornaram menos freqüentes e hoje aquela cidadezinha não tem mais aquele mesmo encanto. O quintal que parecia uma floresta, hoje não passa de alguns metros cercados por muro. Porém, ali se encontra histórias inesquecíveis e incomparáveis. Também não posso deixar de lembrar da minha infância brincando com minha irmã mais velha e mais nova. Eram brincadeiras originais que nós mesmas nomeávamos. Há muitas lembranças além dessas que me marcaram mais, como das vezes que eu comia tudo e minha mãe me recompensava com um beijo, ou das vezes que minha mãe sempre me dava um quarto da maça que ela comia, como que num gesto de cumplicidade, além da partilha. De nada me valeria a obrigação de me alimentar forçada sem que isso fizesse sentido para mim, e também não tinha graça comer uma maça inteira, ela não teria gostinho de mãe. Com muita felicidade, minha infância durou pouco. Desde muito cedo me preocupava com assuntos de adultos, sempre tive uma afinidade com a responsabilidade, mesmo que ela não me tivesse sido cobrada. Acredito que amadureci precocemente e deixei para trás muitas características infantis. Talvez seja por isso que hoje me encontro bastante ligada com a minha infância. Eu nunca fui uma menina de sonhar com príncipes encantados e castelos, quase nunca desejei possuir barbies e foram raríssimas as vezes que dei birra para que meus pais me comprassem algo. Eu era uma contradição. Eu fiz questão de abandonar certas características infantis justamente por elas serem infantis. Mas isso não mudou. Agora, sou uma adolescente que refuta a vida clichê vivida pela maioria dos jovens de hoje. Acredito que essa característica me acompanhará por toda a vida. Muitos dirão que com isso perdi parte da minha infância, outros dirão que isso me tornou uma pessoa preocupada demais, mas eu digo que não me arrependo de ter amadurecido assim. Isso tudo me fez ver que a minha verdadeira criança viverá em mim para sempre. Ela simplesmente não deixou de existir a partir do momento que eu me tornei adolescente. E digo que talvez a minha afinidade com as palavras também tenha sido conseqüência da minha precocidade. Como poucas crianças, aprendi a ler e a escrever logo depois de completar 4 anos de idade. Freqüentei o jardim de infância somente 2 meses por achar que tudo aquilo fosse pra crianças mais novas que eu. Não fazia sentido para mim ver as crianças se ocupando de brincadeiras enquanto eu pensava que escola fosse um lugar para aprender conteúdos propriamente ditos. Hoje, aos 17 anos, faltando pouco mais de um mês para chegar aos 18, olho para trás e vejo quão bonita foi minha trajetória até aqui. Sinto-me orgulhosa por ter sido a criança que fui e ser hoje a mulher que sou. Com toda minha luta, sonhos, desejos e anseios, quero continuar fazendo jus a quem me ensinou a viver assim. Vou continuar olhando para a vida com doçura, com os olhos doces já citados. E quem me ensinou tudo isso, principalmente a sonhar e acreditar que tudo é possível, com certeza foi ela: minha infância!
Não me lembro bem a idade que tinha quando essa foto foi tirada, mas gosto muito dela, pois ela reflete perfeitamente a criança que eu era.
Cidade de Bonfinópolis, interior de Minas Gerais. Lugar decisivo
para minha infância feliz!

No meio da foto dá para ver a "biquinha". Não dá para colocar em palavras todo o significado que esse lugar tem para mim.

Casa da antiga fazenda do meu avô, hoje pertence ao meu tio. Na parede da minha memória, esse é um dos quadros que tem maior destaque. Esse lugar me permitiu ser realmente criança, livre de qualquer forma de alienação.
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"Lembranças são flores do jardim da vida, memórias que guardo da minha infância querida!"

sábado, 4 de outubro de 2008

Despedida


Saia
Não feche a porta, meu amor
Deixe-a entreaberta
Para dar a impressão de que você vai voltar
Se você tem que ir, vá depressa
A sua ausência já dói aqui
E eu não quero
Eu não quero me sentir assim
Já estive sozinha
Já sofri solidão a dois
Das duas não sei qual é a pior
Mas da melhor eu nunca provei
Pouco sei da vida
Muito sei de mim
De você sei o necessário
De nós dois, amor
Eu já não sei de nada
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Nota: esse escrevi já faz muito tempo, achei perdido em meus guardados e resolvi postar!