terça-feira, 23 de setembro de 2008

Sobre paixão e lucidez...


Havia um clima diferente entre nós dois naquela noite. Você balbuciava palavras sem sentido. Falava de felicidade, de margaridas e de diplomas. Diplomas! Os nossos se encontravam sobre nossas mesas, não significavam mais que símbolos da pequena parte de nossa trajetória de luta e garra. Quando me beijou, meio que inconseqüente, cheiro e gosto de champagne fizeram parte de mim. Você alternava entre uma palavra solta e um beijo, sempre fazendo uma dança ridícula, arrastando-me pelo salão. Não dançávamos conforme a música, mas dançávamos conforme o ritmo e a sintonia desafinada que havia entre nós, como se ali só existisse você e eu. Você, o garoto desligado do curso de Jornalismo, e eu, a menina que se achava dona da verdade, ambos ignoramos os olhares disfarçados durante quatro anos de graduação. Sempre tão distante de tudo, você não era a pessoa certa para uma garota como eu. Mas agora você me abraçava forte e suas lágrimas suicidas se misturavam ao meu suor. Não existia o mundo lá fora, não existia mais superficialidade, existiam dois seres a esboçar de maneira ridícula uma dança intensa. Talvez aquela festa acabasse e continuaríamos a dançar mesmo assim. Não estávamos bêbados, estávamos apaixonados!

sábado, 13 de setembro de 2008

Memes

Hoje é o dia dos memes, e a coisa aqui está pegando fogo. Tenho dois memes para responder. O primeiro é um meme musical que recebi do Éverton Vidal, do belíssimo blog Re-novidade. O segundo é o meme do "sete", que recebi da Mila, do blog Roxo Metálico, também muito interessante. Porém, hoje só responderei o meme que o Éverton me passou, o da Mila responderei em breve.

MEME MUSICAL

1. Enumere 7 canções que você ouve sempre, que estão no seu mp3, mp4, Ipod e afins, que você cantarola pela rua. Enfim, suas músicas de cabeceira:

É muito difícil fazer essa pergunta para uma pessoa completamente apaixonada por música como eu. Não consigo e acho que nunca conseguirei fazer uma lista com apenas sete músicas que mais gosto, minha lista é muito grande. Tem muitas bandas que gosto demais e se eu for responder fielmente esse meme, com certeza seria uma tremenda injustiça. Portanto, vou separar em grupos por estilos as músicas que eu ouço.


1º - O Rock e suas variações, dando preferência ao Rock Clássico.
2º - Blues, também sou apaixonada.
3º - Música popular brasileira
4º - Músicas alternativas, que são geralmente bandas não muito conhecidas, mas que sabem fazer música de verdade.
5º - Algumas bandas gospeis.
6º - Música Clássica, ouço muito quando estou nervosa.
7º - Músicas instrumentais.


2. Repasse a missão para sete pessoas especiais. (Dica: escolha alguém de quem você deseje conhecer o gosto musical ou que você já conheça e saiba que a vale a pena).

Vinícius, do blog Pensamentos e realidades.
Jéssica, do blog Andalasia.
Dreycka, do blog Another Throughts.
Carol, do blog Quase 3.0
Teresa, do blog Caneta Vazia.
Raysner, do blog No princípio um emaranhado de sentimentos...
Youko, do blog Estranha garota "perfeita".

Acho que deu pra ter uma noção do que eu escuto. Música é algo que me fascina e que me toca profundamente. Tem certos momentos que não sei o que seria de mim sem ela. Por isso: "Please, don't stop the music!"

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Chega!

Olhei de frente a minha alma e coloquei-a contra a parede. Mirei fundo em seus olhos e a fiz confessar todos os motivos que estavam incomodando sua existência. No princípio ela se debateu, tentou sair do meu domínio. Chorou e esperneou. Mas eu fui decidida, segurei mais forte em seus braços e a coloquei no colo. Como uma criança ferida ela deitou em meus ombros. Por um instante manteve-se em silêncio, pensativa e imóvel. Depois começou soltando as palavras em meus ouvidos. Palavras que chegaram como um punhal, traiçoeiras, porém nada mais que a verdade. Como é que eu nunca havia pensado nisso? Só agora, ouvindo de mim mesma, que pude encarar de vez a realidade. E que realidade triste a minha! Fiquei perplexa quando ela tirou do bolso centenas de sorrisos mal sorridos, uma caixinha de escuridão e de dor, uma dúzia de medos e insegurança, 3 kg de noites mal dormidas, fios de cabelos arrancados por desespero, uma incontável quantidade de sentimentos retidos e confusos, além de uma seqüência de outros questionamentos e dúvidas. Quando eu pensei que ela havia acabado, assustei mais ainda quando devagar ela tirou um pedaço de papel. Não consegui discernir o que era. Minha cabeça girava e doía. Ela estendeu os braços e me entregou. Quando olhei, deparei-me com uma foto de uma criança sorrindo, serena e feliz. Por pouco, como há muito venho fazendo, não me reconheci. Só depois de uma leve sacudida dei por mim e vi que estava cara a cara comigo mesma de três formas diferentes. Na minha mão, uma Camilla praticamente esquecida, trazendo as lembranças de uma época extremamente feliz. No meu colo, a Camilla de antes, de agora e de sempre. A que me acompanha desde o dia do meu nascimento, a minha verdadeira essência. E por fim, a Camilla que trazia consigo as duas anteriormente citadas. Na verdade, essa última era apenas o exterior, a capa, o frasco que continham as outras. Depois desses acontecimentos, fiz uma longa reflexão e tomei uma das decisões mais importantes de toda minha vida. Necessito me desprender de qualquer passado, presente e futuro que me traga dor. Para que meus planos terminem como espero, não preciso de ninguém além de eu mesma. Nunca precisei tanto de mim como agora. Se esse é o momento, eu tenho que agarrá-lo de vez, eu tenho que fazer de mim uma nova pessoa, livre de tudo que me fez cair durante tanto tempo. Chega de uma pseudo-vida regada com sofrimento desmedido e desenfreado. Chega de lágrimas amargas molhando meu travesseiro todas as noites. Chega de me machucar e de machucar quem eu amo por causa dos meus problemas. É muito egoísmo meu me fechar no meu mundinho de dor e esquecer que todos a minha volta também sofrem com isso. Eu quero viver novamente, quero colocar pra fora as coisas boas que construí dentro de mim durante todo esse tempo. O meu defeito foi ter criado minha filosofia e não saber como empregá-la. Porém agora assumo meu erro e quero uma nova chance para começar de novo da maneira correta. Não é por ninguém, é primeiramente por mim. Se eu estiver bem comigo, estarei bem com tudo e todos que me cercam. Hoje eu só quero dizer que CHEGA!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Manhãs de setembro...

Aqui o clima está frio. Eu olho para os lados e sinto que todos me olham com indiferença. O professor de química resolve exercícios e eu me distraio olhando o céu pelas frestas da grade. Não consigo enxergar as nuvens, a parede limita a paisagem. O azul, a cor do céu e do mar! Minha vida é azul, um azul meio descascado, já dando pra ver o preto e branco por baixo. Em breve precisarei de mais algumas pinceladas. Agora ando muito ocupada, mas em algum fim de semana próximo me empenharei nessa tarefa. Permitirei que os pingos de tinta caiam pelo chão, trilhando lembranças, deixando para trás as marcas de um dia de domingo. Com o resto da tinta, pintarei o próprio céu acima da minha cabeça e o mar abaixo dos meus pés. Vou pegar um sol emprestado e pendurá-lo no pescoço. No meu bolso, uma lua estará guardada para iluminar minhas noites. E assim, eu poderei brilhar como estrela. Mostrarei meu brilho próprio sem medo de ser ofuscada, iluminarei tudo e todos que me cercam. Hoje eu só queria não me sentir uma prisioneira, literalmente entre quatro paredes, copiando mecanicamente a matéria que me será cobrada no fim do ano. Eu queria não precisar ver uma amiga chorando por causa de uma nota num exame. Queria não precisar perder o ânimo e a alegria por coisas tão pequenas e terrenas. Lá fora, uma manhã de inverno me chama para incorporar minha essência e para ouvir os pássaros cantando. Quanto tempo tem que eu não vejo o pôr-do-sol? Qual foi a última vez que eu vi um beija-flor ou aquele arco-íris risonho que surge no fim da tarde? Quando eu era criança, não havia espetáculo mais lindo que observar as cores do arco-íris. Eu acreditava no pote de ouro que existia no fim de cada um deles e sempre perguntava minha mãe em que lugar ele se encontrava. Sempre agradecia a Deus por me permitir contemplar tamanha beleza sem precisar pagar nada. As agitações dos meus dias têm-me feito esquecer de viver de verdade. Não há mais sentido no caminho decorado que percorro todos os dias até a escola. Não há mais magia quando eu abro os olhos ao descortinar de cada dia. Não há nem mesmo as flores no caminho da minha existência. Como eu, logo eu, fui permitir que me acontecesse tamanha crueldade? Eu que me reprimi no meu mundo, deixei que meu girassol se virasse contra a luz do sol, que o mato tomasse conta do meu jardim, que os meus sorrisos virassem simples atos fisiológicos. Fui eu quem ignorou quando os dias começavam a ficar nublados e as nuvens pesadas e raivosas. Eu quem fingi não ver que a correnteza de sentimentos dentro de mim estava batendo com força contra as paredes da minha alma. Fui eu! Agora me sinto despedaçada como a rosa que brigou com o cravo. Hoje é apenas a terceira manhã do mês de setembro...


"Eu quero sair
Eu quero falar
Eu quero ensinar
O vizinho a cantar
Eu quero sair
Eu quero falar
Eu quero ensinar
O vizinho a cantar
Nas Manhãs de Setembro
Nas Manhãs de Setembro
Nas Manhãs de Setembro
Nas Manhãs..."
(Vanusa)