segunda-feira, 7 de julho de 2008

Chão de giz

Nossa memória funciona como um álbum de fotografias, e o álbum funciona como um congelador da nossa história. Os momentos vão ficando guardados, empoeirados num canto. Hoje, folheando algumas páginas do meu álbum e retirando a poeira que estava assentada, veio à tona um emaranhado de emoções e sentimentos reprimidos, além de uma série de recordações, tanto boas quanto ruins. Lembrei principalmente da minha infância, do tempo que eu era feliz sem precisar de motivos para isso. Como era bom acordar e não ter com o que preocupar, sorrir para a vida sem pedir nada em troca, não precisar achar respostas para tudo que acontece ao nosso redor. Espanando mais ainda, fui sufocada pelo pó de incertezas que subia e então decidi que já era hora de parar. Não sei o que me levou a remexer nas minhas lembranças, talvez tenha sido meu estado de espírito inquieto e perturbado. “Tem certas coisas que eu não sei dizer.” Talvez minha essência tenha falado muito mais alto hoje do que o de costume. Isso não é ruim, são nesses momentos de encontro com nós mesmos, que conhecemos nossas potencialidades e limitações. Vivo da minha essência, e isso é inegável. Mas os encontros cara a cara com meu eu, têm me deixado triste. Quando mergulhamos fundo em nossa alma e vemos de frente nossos erros, nos sentimos a pior criatura da face da Terra. Hoje quis renegar certos atos, mas infelizmente há coisas que não se mudam. Não descobri isso hoje, certamente. Mas descobri que isso dói, e como dói. Vou esperar a poeira abaixar para fechar as páginas do meu álbum, para quem sabe, aquietar as angústias que se afloraram com um simples ato: o de pensar!

"Eu desço dessa solidão
Espalho coisas sobre
Um Chão de Giz
Há meros devaneios tolos
A me torturar
Fotografias recortadas
Em jornais de folhas
Amiúde!"
(Zé Ramalho)

22 Comments:

Vinícius Aguiar said...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Vinícius Aguiar said...

Bom, inicialmente não posso deixar de ressaltar a excelente forma com que foi escrito seu texto... tecnicamente perfeito, parabéns! Mas eu sei que o seu intuito não tinha nada de técnico... então devo dizer que seu momento coincide muito com o texto "lembranças" que eu postei há pouco... as recordações sempre proporcionam esse "encontro com o eu", e nem sempre isso é algo feliz. Confesso que não consigo entender muito bem os porquês desses reencontros, mas sei que em algum momento e para alguma coisa, eles são úteis. A grande verdade é que não cabe mais imaginar por qual motivo as coisas mudaram. É preciso encarar de frente a REALIDADE, por mais triste que ela de fato seja, e nós dois sabemos o quanto o é... espero que a poeira baixe logo e que vc possa voltar a guardar suas recordações numa caixa bem escondida do seu passado, e siga olhando para frente sempre, porque é lá que vai estar a felicidade plena que vc tanto merece!! Beijos Camilinha, tava com saudades de posts como esse!
te adoro!

NANDO DAMÁZIO said...

Pronto, agora essa música me veio à cabeça e tive que ir no Youtube para ouvi-la, amo demais !!

Ah, as recordações .. Apesar de não ter tantas coisas marcantes assim para relembrar, eu também sempre tive espírito nostálgico !!

Abraço, Ca !!

TARGUM said...

minha linda Millinha...saiba que o teu chão de giz é o de todos os viventes...
Bjos

benechaves said...

Oi, Camilla: sempre é bom recordar, hein? E vc é bem nova pra isso. Quando estiver na maturidade melhor ainda, pois terá mais um campo cheio de lembranças. Grato pela simpática visita. E apareça quando puder, tenho outras 'passagens' de outrora que merecem ser resgatadas.

Um beijo recordado...

Marcio Nel Cimatti said...

Camilla,

Que legal que gostou do blog. O seu é muito interessante também. Já estou há um tempo lendo os posts!

Bjo!

MH said...

adoro de vez em quando abrir velhas fotos.
rever velhos amigos
Bons momentos.
Gosto de ver fotos de qdo eu era crianca.
me lembro do cheiro do cafe que me acordava toda manha.
das musicas que meu pai fazia.
Dos bolinhos de arroz que minha vo preparava para mim.
E, de volta ao presente, nada melhor do que agradecer HOJE, AGORA, JA...essas pessoas que amomos, por ter nos proporcionado esses momentos.

qtos as memorias ruins.
Tranque a porta das lembranças e deixe-as la dentro juntando poeira.

Marina Lacerda said...

primeiramente texto perfeitoo... a escrita dele tá maravilhosaa :D

ahh! as vezes eu faço isso tbm... eh bom, recordar... é cmo se eu vivesse tudo aquilo dinovo

:**

Marina Lacerda said...
Esta postagem foi removida pelo autor.
F. said...

Eu sou uma criatura saudosista. Vivo de lembranças. Mas, melhor do que as lembranças que temos, sao aquelas que ainda podemos - e iremos - ter. As lembranças dos dias que nos esperam, inteiros e ansiosos pelo encontro conosco. A lembrança que teremos da vida que nos espera.

Lindo o texto.

Beijos ;)

Teresa said...

ixiiiiiii, eu tenho que dizer: adoooooooro essa música.
adoooooro zé ramalho.

Poesia! said...

olá!
sou adm. do O Fogo Anda Comigo (thefirewalkswithme.blogspot.com)
e gostaria de ser um parceiro seu...
abraços!

Tay said...

Ola Camila adorei conhecer seu blog viu..
Um bj
Tay

Poesia! said...

nao deixe de enviar poemas para
ofogoandacomigo@yahoo.com.br
assim, poderemos publica-los!

Abraços!

Naay said...

Obrigado pelo comentário.!
belo texto também.
estou te linkando aqui.
:*

Maldito said...

“Tem certas coisas que eu não sei dizer.”
Acho que é porque certas coisas se deve apenas sentir,...

Inté!

Mandy said...

^^

vlw flor!!!

É sempre bom ganhar selinhos.

BjO.

Drêycka said...

oi.
Vlw pela visita ao AT. Volte sempre!

Adorei o blog, voltarei!

bjus

Maldito said...

Nossa camilla,...falar de gosto musical é complicado,...tem banda que eu gosto so de 1 ou 3 musicas,...
Mas sobre rock,...o que eu consigo ouvir a discografia toda na integra sem reclamar de nada é o Metallica!

Bjs

Mila said...

Nem gosto tanto de lembrar das coisas, me bate uma deprê 8(
Às vezes dá vontade de reviver os momentos, daí me toco que não é possível 8(

FERNANDO said...

Olá, Camila! Obrigado pela visita à Coluna! E perdão por não respondê-la antes. Eu estive fora do ar por alguns momentos...

Bom, devo elogiar teu blog, porque hionestamente: não parece nada com blogues de dezessete anos. É bem sóbrio, a escrita é direta, falou com concisão de si própria. Muito bom!

Quanto ao reencontro cnsigo, isso faz um bem que só. E não por acaso, sempre encontramos algumas respostas no nosso passado, na nossa infância. Coisas que já fazíamos ou já éramos e ainda nem tínhamos idéia do que seríamos.

E tens razão: bons tempos em que não havia preocupação. E mesmo assim, achavamos nossas vidas tão difíceis. Ô ilusão...

Em tempo: a descrição "Mas eu disse UM BLOG, e não um aglomerado de gifs piscantes e reluzentes." ficou do caralho! Ri um tantinho!

Beijocas!

P.S.: vou fuçar mais por aqui. E te lincarei, pode ser?

lemuel said...

Camila

A infância.
Não é a única dona da felicidade.
É que antes, éramos despreocupados.
As alegrias nos chegavam por si só.
Então crescemos... E mais a nossa ânsia...

A felicidade é recompensa,
Não há sentido em sua posse.
Quanto há em sua: “nossa vivência”.
E, momentos bons, fotografados,
Que guardamos para depois.
Se são bons em breve tempo. São em sua constância,
Muito melhores.
Você me disse que ainda tem algo,
Infantil. Mas você cresceu.
Todos crescem. E eu.
Nós crescemos para enxergar nosso amor. No outro.